quinta-feira, setembro 30, 2004

FLICK COLLECTION


hbfblau0504
Originally uploaded by emidiopaiva.


Este lindo prédio, iluminado em azul, em noite de festa, já foi uma estação ferroviária, antes de se tornar o mais importante museu de arte contemporânea de Berlim: “Museum der Gegenwart - Hamburger Bahnhof”. Foi inaugurado em 1996, depois de reformas substancias que já se faziam necessárias. Como estação ferroviária, servia o trecho entre Berlim e Hamburgo e entrou em operação em 1847. Depois da II Guerra ficou abandonada e acabou caindo, mais tarde, nas mãos dos alemães orientais. Ficava situada no setor controlado pelos soviéticos, à beira de um canal do rio Spree, quase sobre a linha de demarcação de fronteira entre os lados oriental e ocidental de Berlim.

Pois bem, este museu está abrigando, no momento, uma grande coleção de arte contemporânea do neto de um empresário do setor de armamentos , chamado Friedrich Flick, que , durante o nazismo, empregou mais de dez mil pessoas, condenadas a trabalhos forçados, na produção de equipamentos de guerra.

O chanceler Schröder abriu a exposição, dia 22 de setembro, e foi, por isso, muito criticado, especialmente pelos representantes de classe dos artistas, políticos, sobreviventes do holocausto e da comunidade judáica. A posição do chanceler foi extremamente corajosa. Como assinalei no "post" anterior, tocar no tema nazismo/holocausto dos judeus é enfiar o dedo num buraco de formiga. E não deu outra coisa: acusaram Schröder de tentar lavar o passado sujo da família Flick, reabilitando um nome de família de um indívuo que foi condenado a crimes de guerra no tribunal de Nürnberg, em 1945.

Entento que Schröder, mesmo se expondo policamente, tenha procurado, como é a intenção de muitos alemães, representar o papel de conciliador. Claro que não é fácil, principalmente para os judeus, esquecerem-se do passado. Mas, há de ter o gesto inicial, mesmo sob protestos, de alguém que se mostre disposto administrar uma situação, onde a Alemanha se mostre nova, outra, mesmo carregando o que chamam de "responsabilade coletiva" pelos danos causados pelo nazismo.

O que posso dizer é que está o maior bafafá, por causa dessa exposição. Ainda, na semana passada, uma senhora, com a fúria de protesto, destruiu duas esculturas expostas.

Para os sabem ler em alemão, deixo aqui dois artigos que "colei" de jornais online de Berlim:

"Nach monatelangen Diskussionen ist die umstrittene Flick Collection in Berlin offiziell eröffnet worden. Bundeskanzler Gerhard Schröder zollte bei der Gelegenheit dem Sammler Friedrich Christian Flick seinen Respekt und dankte ihm für die Leihgabe seiner Sammlung mit 2500 Werken. Flick habe die Verantwortung für seine Familiengeschichte auf sich genommen, sagte Schröder bei der Eröffnung der Ausstellung im Museum für Gegenwart-Hamburger Bahnhof. Gleichzeitig forderte er Flick auf, die Sammlung über die zunächst vereinbarten sieben Jahre hinaus in der Stadt zu belassen.
Korn: Geschichte der Familie wird "reingewaschen"
Künstler, Holocaust-Überlebende, Politiker und Verterter der jüdischen Gemeinden hatten gegen die Ausstellung protestiert. Sie werfen dem Enkel des Industriellen Friedrich Flick vor, seine Sammlung aus dem geerbten Vermögen des einstigen NS-Rüstungsunternehmers erworben zu haben. Der Vize-Vorsitzende des Zentralrats der Juden in Deutschland, Salomon Korn, hatte beispielsweise kritisiert, der Industriellen-Erbe wolle mit der Ausstellung die Geschichte seiner Familie "reinwaschen". Friedrich Flick hatte zehntausende Zwangsarbeiter beschäftigt. Er wurde 1945 als Kriegsverbrecher verurteilt.
Michael Fürst, Vorsitzender des Landesverbands der Jüdischen Gemeinden von Niedersachsen und Mitglied im Zentralrat der Juden in Deutschland, griff den Kanzler im Vorfeld der Eröffnung an. Schröder müsste den in der Schweiz lebenden Flick eigentlich ächten, schrieb Fürst in einem Beitrag für die "Netzeitung". Auch die Fraktion von Bündnis 90/Die Grünen im Berliner Abgeordnetenhaus warf dem Kanzler vor, sich an der Rehabilitation eines schwer belasteten Familiennamens zu beteiligen."

*********************

"Im Zentrum der Erstpräsentation der Friedrich Christian Flick Collection im Hamburger Bahnhof vom 22. September 2004 bis zum 23. Januar 2005 steht einer der bedeutendsten lebenden Künstler mit einem unvergleichlichen Werkblock, welcher die Essenz seines künstlerischen Denkens eindrucksvoll spiegelt, der Amerikaner Bruce Nauman. Die Ausstellung nimmt in unterschiedlichen Kapiteln Themen heutiger Kunst in den Blick. Ferner teilt sie einigen Künstlern Räume zu, in denen diese ihren Werken aus der Friedrich Christian Flick Collection eine eigene, auf den Raum bezogene Gestalt geben, u.a. Jason Rhoades, Stan Douglas, Rodney Graham, Paul McCarthy, Franz West, Pippilotti Rist und Diana Thater.
Innerhalb der Themen, die sich unterschiedlichen Facetten künstlerischen Arbeitens widmen, wird auch die Institution Museum in einem künstlerischen Diskurs, ausgehend von Marcel Duchamp, dem Vater aller Ideenkunst im 20. Jahrhundert und dem Belgier Marcel Broodthaers, thematisch berührt. Das Prozesshafte als ein großes Thema der jüngeren Kunst verdeutlicht sich beispielhaft an Werken von Nam June Paik, Peter Fischli und David Weiss, Roman Signer und Dieter Roth. Das Thema „Raum und Architektur“ wird in Arbeiten von Jeff Wall, Dan Graham, Gordon Matta-Clark und Rachel Khedoori aus unter-schiedlichen künstlerischen Perspektiven betrachtet. Der Körper und seine Sexualität tritt in Werkgruppen von Raymond Pettibon, Paul MacCarthy und Cindy Sherman gleichsam als Einschreibung hervor, um nur einige der spannungsreichen Kapitel und Künstler der vielgestaltigen Ausstellung zu nennen.
Kulturstaatsministerin Christina Weiss hat wenige Stunden vor der offiziellen Eröffnung der "Friedrich Christian Flick Collection" die künstlerische Bedeutung der Ausstellung unterstrichen. "Wir eröffnen heute ein Museum der Gegenwartskunst, das es in dieser Art und in diesem Ausmaß wohl kein zweites Mal gibt", erklärte Weiss.
"2.500 Werke aus einem Jahrhundert der tiefsten Verwerfungen und des höchsten Glücks werden in einer Stadt zu sehen sein, die durch sich selbst zu einer Metapher der Zerrissenheit geworden ist", sagte die Kulturstaatsministerin am 21. September im Hamburger Bahnhof. Daher sei gerade Berlin der richtige Ort für eine Sammlung, die radikale und verstörende Kunstwerke aus dem 20. und 21. Jahrhundert präsentiert."


leia mais aqui

segunda-feira, setembro 20, 2004

DER UNTERGANG


cover_xl
Originally uploaded by emidiopaiva.

Surge mais um filme para incomodar o passado nazista da Alemanha. A controvertida película relata os últimos 12 dias de Hitler no seu "Bunker" e parece lhe atribuir traços humanos. Eis aí a grande questão: Hitler, humano? O diretor e os atores principais, em entrevista que pude acompanhar pela televisão, abominam o nazismo e a figura doentia de Hitler e seus aliados. Entretanto, insistem em defender o filme sobre o ponto de vista de se tratar de um episódio sobre um ser humano, ainda que bestial, nos seus últimos momentos de decadência.

Como ainda não assisti ao filme, prefiro emitir minha opiniao mais tarde. Talvez, amanhã, vá ao cinema com meus colegas de trabalho. Depois conto como foi!

Atualização do tema em 22.09.04:
Assisti ao filme, ontem. É impossível se sentir bem, vendo um filme sobre guerras. E sobre o tema Hitler e seu terceiro “Reich” já se viu de tudo, desde Chaplin com “O Grande Ditador” até as mais novas produções de Hollywood. Parece que há mais de 100 filmes que abordam este capítulo horroroso da história da Alemanha. Entretanto, o que difere esse filme de muitos outros é o fato de ter sido feito por alemães. Fala-se de que foi quebrado um tabu. Os alemães, principalmente a geração mais velha, não gosta de comentar o nazismo e a inteligência alemã não admitia, até agora, um alemão a ser capaz de incorporar o monstro Hitler.

O produtor e também autor do argumento, Bernd Eichinger, bem como o diretor, Oliver Hirschbiegel, foram mais longe: tentaram não apenas mostrar o monstro que havia em Hitler em seu obcecado ideal nazista, mas mostraram também o homem Hitler, enfraquecido, enlouquecido, egocêntrico, traído, às vezes contemplativo, paciente e sofrido, traços estes que outros filmes jamais mostrariam. O debate público, atualmente, é se seria necessário fazer um filme que mostrasse alguma característica humana positiva de Hitler. No meu entender, o filme, com poucas exceções, não encena fantasias. Foi fielmente baseado numa obra homônima e nas anotações e lembranças de Traudl Junge, a secretária de Hitler. Aliás, a secretária funciona como uma espécie de fio condutor no filme.

Assim, são relatados os últimos 12 dias que o Führer passou no seu complexo e gigantesco "Bunker", enquanto o exército russo ia progressivamente conquistando Berlim. As cenas e diálogos no "Bunker" - muito ao contrário do que alguns receiam pretenda o filme reabilitar o lado humano de Hitler- constatam o ego devastador desse tirano, que mesmo aconselhado por alguns de seus generais à capitulação, sentia-se convicto de sua superioridade germânica. Para ele o que importava era a sua idéia, o povo ele julgava, no final, responsável por sua derrota, vítima de seu próprio destino. Pateticamente, comandava de um buraco um exécito derrotado. As sequências mostram também de forma impressionante o carisma que exercia sobre seus obedientes súditos. Mesmo naqueles últimos momentos, achavam-se perdidos mas viam no "Führer" o salvador. E, assim, muitos deles já providos de recursos para se suicidarem, preferiam a morte a viver em um outro mundo que não fosse o do "Nazionalsozialismus" nazista.

Discutir um filme é se esquecer do tempo: este “post” acabou ficando muito longo! Mas, o que queria dizer mesmo é que esse filme está causando muita polêmica, porque surgiu em um momento em que os partidos de extrema direita em dois Estados alemães orientais conseguiram representação nas suas Assembléias, após o resultado das eleições de domingo passado. A maioria dos alemães, principalmente os mais velhos, condena o passado nazistas e insiste no debate de que esse erro jamais deverá ser repetido. As novas gerações costumam dizer que nada têm a haver com essa história vergonhosa do passado. O que percebi, desde que aqui cheguei, é que os alemães discutem essa matéria. Promovem o debate, principalmente para os jovens, para que esse capítulo negro de sua história não caia no esquecimento. Costuma-se falar aqui de uma “culpa coletiva”, outros de uma “responsabilidade coletiva”. Entretanto, o que assusta a muitos é o fato de a Alemanha está agora com uma alta taxa de desempregados, e que oportunistas ultra-radicais de direita instrumentalizem o desemprego e outras perdas sociais da população para repetir a história que fez levar Hitler ao poder.

quinta-feira, setembro 09, 2004

E assim foi o jogo Brasil - Alemanha...
Vesti uma camisa da seleção, que me foi emprestada, de última hora, e corri para o estádio. Uma multidão já lotava os transportes públicos que se dirigiam para o “Olympia Stadium”. Coração batendo forte! E, no meio de toda aquela gente, me senti levado até meu lugar, lá em cima: setor H, fila 25, cadeira 2. Foi pura emoção, assistir de lá do alto toda aquela batucada das torcidas teuto e brasileira. Não demorou muito, ouvi o estádio vir abaixo, aos gritos e aplausos, quando as seleções entraram em campo “só para se aquecer” . Paralelamente ao “aquecimento”, as mulatas brasileiras “incendiavam” a platéia com seus rebolados de cima e de baixo. Foi “show”! Depois disso, o espetáculo foi para valer! Só que empate tem sempre aquele gostinho de “nada”, não é mesmo? Mas, valeu!!!!!!!!!...veja fotos aqui...clique, ainda, sobre o desenho da câmera para ver mais 10 fotos superlegais


Brasil - Alemanha 1:1
Equipe brasileira: Julio Cesar/Flamengo, Rio de Janeiro (25anos/9jogos internacionais) - Belletti/FC Barcelona (28/24) aos 62 min. Maicon/AS Monaco (23/6), Juan/Bayer Leverkusen (25/24), Roque Junior/Bayer Leverkusen (28/40), Roberto Carlos/Real Madrid (31/112) - Juninho/Olympique Lyon (29/23) aos 62min. Renato/FC Sevilla (25/14), Edmilson/FC Barcelona (28/34), Edu/FC Arsenal (26/13) - Ronaldinho/FC Barcelona (24/49) aos 62min. Alex/Fenerbahce Istanbul (27/44) - Ronaldo/Real Madrid (27/89), Adriano/Inter Mailand (22/16) aos 65min. Julio Baptista/FC Sevilla (22/11).
Equipe alemã: Kahn/Bayern München (35 anos/74 jogos internacionais - Hinkel/VfB Stuttgart (22/9) aos 87min. Görlitz/Bayern München (22/1), Huth/Chelsea London (20/2), Fahrenhorst/Werder Bremen (26/2), Lahm/VfB Stuttgart (20/11) - Deisler/Bayern München (24/21) aos 87min. Podolski/1. FC Köln (19/4), Frings/Bayern München (27/34), Schneider/Bayer Leverkusen (30/41) - Ballack/Bayern München (27/46) - Kuranyi/VfB Stuttgart (22/16), Asamoah/Schalke 04 (25/20) aos 70 min. Klose/Werder Bremen (26/41).
Juiz: Urs Meier (Suíça); cartão amarelo:Hinkel, Ballack - Edmilson, Ronaldo
Gols: 0:1 Ronaldinho (9min.), 1:1 Kuranyi (17min.)
Espectadores: 74.315 (lotação esgotada)
Comentários dos alemães:
A reação do treinador e atletas alemães foi a de que a equipe se desenvolve positivamente com vista à Copa 2006. O empate significou certo alívio, tranqüilidade e esperança para voltar a enfrentar os campeões na próxima Copa do Mundo.
O treinador Klinsmann elogiou sua equipe. Julgou o time apto a enfrentar a equipe brasileira, pela jogada agressiva e pelo bom desempenho, mostrando mais liderança na partida. Sentiu até que o time poderia ter vencido o jogo, acha que o time se compõe, pouco a pouco, e que a partida contra o Brasil foi uma peça fundamental nesse processo de fortalecimento e segurança da equipe. "O Brasil é o máximo no futebol, é campeão mundial, mas a Alemanha pôde mostrar que pode se equiparar aos campeões", declarou o treinador.
O goleiro Oliver Kahn disse que o time alemão pôde mostrar bom futebol com velocidade no campo e que o time brasileiro perdeu boas chances de fazer gol. Sente, assim, que o jogo deu mais segurança ao time alemão e que o time está no caminho certo para, com sorte, poder também ganhar do Brasil.
O jogador Kuranyi, que tem um pé no "patropi", declarou que estava supercontente por ter feito um gol contra o Brasil e que o empate não poderia ter sido melhor. "Com 1:1 todo mundo saiu satisfeito, também minha família", concluiu o jogador.
Nosso treinador, Parreira, disse que a equipe alemã estava altamente motivada, queria ganhar, de qualquer maneira, o jogo contra os campeões mundiais! Achou que nos primeiros 10 minutos a equipe brasileira estava melhor, depois o meio campo alemão dominou a jogada com sua velocidade. No segundo tempo, disse que fez alguma mudança no time, o jogo ficou equiparado e nosso goleiro desocupado. O empate foi um resultado correto, segundo o treinador.