Quando planejei minhas férias em Cuba, escolhi, propositalmente, um período no qual incluísse o 1. de Maio, por ser uma data simbólica do socialismo.


Pensei na oportunidade que teria de assistir às grandes paradas revolucionárias de soldados e trabalhadores socialistas, como eram, outrora, celebradas nos países europeus da "Cortina de Ferro". Surgiu a "glasnost" e acabou com tudo isso, por aqui, mas não conseguiu desmantelar os espetáculos do dia do trabalho em países como Coréia do Norte, China (...e olhe lá!) e Cuba.


Como já conhecia os países da era soviética, pensei que tal manifestação seria uma "volta ao passado", passado de turista, devo dizer. Aliás, pensei que toda a minha viagem à Cuba teria um gosto de nostalgia comunista. No entanto, constatei que os trópicos tornam o socialismo de Cuba diferente dos demais, algo mais leve, mais alegre, mais colorido, bem mais otimista do que aqueles que antes conheci. Tudo isso se fez notar na marcha do dia do trabalho.
Carlinhos, meu amigo que me hospedava em Havana, muito comodista, mudou tudo... contrariando tudo o que nos tinham advertido, optou pelo conforto do seu carro. E, lá fomos nós!
(continuo a escrever, amanhã, estou com tanto sono, que nao consigo mais me concentrar...)
Estacionamos o carro na primeira vaga disponível, que compreensivelmente ficava muito longe da Plaza de la Revolución, o nosso destino. Saímos caminhando e não demorou muito até a gente encontrar os grupos que se formavam para o desfile. Por um momento, tive a sensação nostálgica das paradas do dia 7 de Setembro do meu tempo de colegial e escoteiro, quando vi tanta gente jovem e cheia de entusiamo, aguardando sua vez para iniciar a marcha. Enquanto caminhava, entre esses grupos, ora de estudantes, ora de operários, ora de lavradores, que levavam consigo faixas e cartazes de suas cooperativas e demais agremiacoes, saudando os heróis "de la revolución" e os clamores de "Viva Cuba Libre", "Patria o Muerte", aproveitava para tirar fotos e congratular-me com os cubanos. Perguntavam a mim e ao Carlos de onde vínhamos e se ofereciam para serem fotografados: "Sácame una foto, gracias", diziam. Tudo transcorreu com muita disciplina, cordialidade e alegria! Afinal, era a festa nacional!
Acompanhando aquela marcha, senti, de repente, que estava no meio de uma multidão, que caminhava sempre em frente, crescendo cada vez mais, e, mesmo se eu quisesse, não poderia mais voltar, e nem sair pelas laterais, que estavam bloqueadas por civis voluntários, que não permitiam ninguém desistir da caminhada. E agora? Perguntei ao meu amigo. Agora...já podia ver a minha frente o monumento aos heróis nacionais, a estátua de José Marti - este sim, onipresente, o maior dos heróis de lá, confesso minha ignorância quanto ao seu nome - e o gigantesco retrato em alto relevo de Che num prédio governamental: os símbolos que compõem a Plaza de la Revolucion. Nem acreditei. Então, já estava em plena praça, que tantas vezes assisti pela televisão, quando se noticiava sobre Cuba. Só faltou mesmo o discurso de Fidel!
Fotos:
- no centro da Plaza de la Revolución, durante a marcha do 1. de Mayo. Ao fundo, o monumento aos heróis nacionais e a estátua de Marti (bem atrás dos meus dedos "paz e amor".
- na Plaza de la Revolución, com o painel de Che Guevara ao fundo. O vazio, atrás, deve ser por medida de seguranca.
- na concentracao, entre membros de um sindicato.
- em frente a um grupo de representantes sindicalistas da cidade de Matanzas, na Plaza de la Revolución, com o monumento aos heróis nacionais, ao fundo. O Monumento é a edificacao mais alta de Havana.
- em frente a um grupo de colegiais. Nao sei explicar o que aconteceu com a letra U, que falta na palavra Cuba!









