PRAGA DE BRUXA
Não encontro outra explicação para o que aconteceu no domingo passado, à tarde, enquanto dirigia meu carro (andrógino...não se chama „bravo“, é „brava“), no centro da cidade. Tagarelando com um amigo português, que me visitava, transportava dois colchões, no banco de trás do carro, para devolver à Bia , em cuja casa iríamos tomar café com bolo. Um programinha de domingo, aqui!
Na nossa frente, numa via muito movimentada, em direção a „Alexanderplatz“, uma lambretinha se esperniava ao ser conduzida por uma mulher tão bunduda, que parecia não estar sentada no selim do veículo, mas estar sendo penetrada por ele, se é que vocês me entendem... Coitada da lambreta, se movimentava como uma lesma, causando grande trastorno no trânsito , com centenas de carros impacientes, atrás dela (e de mim), enquanto a pista se matinha livre em sua frente, e todos os carros passavam por ela pelas pistas laterais.
Ainda dei uma oportunidade à gorda, para ela se movimentar para o lado direito, para onde havia muito espaço, mas, que nada, ela não estava nem aí. Então, já que era assim, decidi passar pela frente dela, com muito cuidado, e sem querer humilhá-la, arranquei o carro o suficiente para ainda dar tempo de fazer o sinal para direita, para a rua aonde iria desviar o carro. Meu amigo e eu sentimos que ela resmungou alguma coisa, quando passamos por ela. Só poderia ter sido alguma coisa que saiu daquela boca que deve ter provocado uma parada no carro no exato momento que entrei na rua à direita. O carro morreu!
Putz, „sorte no azar“ foi que entrei numa rua menos movimentada e, na esquina, havia um semáforo fechado. Empurramos o carro para cima da calçada e chamei o serviço de socorro ao meu „brava“. Que situação: dois colchões dentro do carro, Bia e família nos esperando com o café à mesa, e nós ali!... Só pode ter sido praga daquela gorda (mas ela era muito gorda mesmo), descendente de alguma bruxa medieval.


