
Numa cidade, como Berlim, onde há dezenas de museus, centenas de galerias de arte e inúmeros ateliês, ainda parece faltar lugar para a sua população de artistas mostrar a sua arte.
Os grafiteiros, como os conhecemos, têm seus espaços clandestinos garantidos . Tão garantidos que muitos migraram dos muros, telhados e fachadas de prédios para os salões de galerias de arte “estabelecidas”.
Entretanto, há aqueles que ficaram de fora...E é curioso observar como encontram seu espaço público com os recursos mais inusitados para se expressarem.
Uma ronda no meu quarteirão, apenas para servir de uma pequena mostra, chamou-me atenção para uma série de provocações, convocações, aclamações, alertas e fúrias de artistas anônimos.



Na Siemenstrasse ( rua Siemens), no prédio número um, umas margaridas comportadas pintadas na portaria contrastam com as pixações em outros imóveis.

Do outro lado da rua, mais à frente, uma construção abandonada deu lugar a pinceladas, meio aborígenes, que souberam aproveitar até uma grade do que fora antes uma janela. Nem o caminhão estacionado a poucos metros dali foi poupado do grafite.
Há uma tendência de arte urbana, que se prolifera, produzida por matrizes, carimbos e “stickers”. Alguns desses trabalhos são politizados, insultam o capitalismo, questionam o meio ambiente ou transmitem mensagem de paz, à sua moda, como a que estampa Ghandi acima da chamada: “procura-se”. A primeira vista, interpretar-se-ia o anúncio como uma busca a um fora da lei, procurado pela polícia, vivo ou morto, como se via nos filmes de aventuras. A mensagem conclui, no entanto, que o que se procura mesmo é um pacifista.




