sexta-feira, outubro 31, 2008

Na ópera "La Traviata", o soprano parecia-se com Madonna, a dos anos 80. O cenário era algo como uma pista de carros, vez por outra, transformado em túnel, numa analogia à princesa Diana e ao lugar de sua morte. Até pingos de chuva, se podia ver na cena, numa projeção feita sobre uma tela de gaze, na frente do palco, que separava o elenco da platéia. Muito louca, a encenação!...

Já o "Barbeiro de Sevilla", era uma montagem simples, como se o cenário, estivesse em um palco, montado no palco do teatro. Era como se fosse um desenho. Os cantores, contudo, super-profissionais!

segunda-feira, outubro 20, 2008

EM CLIMA DE ÓPERAS
Tenho assistido a belíssimas encenações de óperas.
Em Berlim, há três grandes teatros, que apresentam montagens próprias de óperas: “Deutsche Oper”, “Komische Oper” e “Staatsoper”. São teatros de alto nível, com orquestras, coros, corpo de baile e cantores líricos de alto nível. Embora sejam instituições do governo da cidade-estado de Berlim, elas dispõem de gestões com orçamentos independentes – o que custa muito caro aos cofres públicos. Em suas temporadas, como as atuais, podem acontecer que uma mesma ópera seja apresentada nos três espaços, entretanto com montagens diferentes, como atualmente “La Traviata” e “A Flauta Mágica”.
A ópera mais bonita, no interior, é a "Komische Oper" (foto à esquerda). O prédio foi bombardeado durante a II Guerra Mundial e ficou muito danificado na parte externa, de forma que decidiram dar-lhe uma arquitetura de linhas retas e simples na sua fachada. Seu interior, contudo, foi cuidadosamente restaurado, tal como nos seus dias de glória, antes da guerra. Estive recentemente neste teatro para assistir à uma produção inovadora da "Flauta Mágica" e, mais recentemente, para assitir a uma ópera que nunca havia ouvido falar, antes: "O Amor às Três Laranjas" ("Die Liebe zu den drei Orangen", de Prokofjew), que foi um espetáculo supercolorido, muito movimentado, um conto de fadas, meio comédia, meio tragédia, para adultos e , sim, havia muitas crianças na noite em que estive lá. Coisa rara aqui é ver criança acordada depois das 20hs.

O que foi interessante, na noite que fui assistir "à ópera das laranjas", foi uma coisa que nunca tinha visto antes: o tenor que representava o papel de Traffaldino, que está na foto do lado direito, com nariz vermelho, não pode atuar por estar doente. A solução encontrada foi colocar um mímico, no seu lugar, enquanto um outro cantor, que foi chamado na última hora, cantava, do lado do palco, lendo a partitura sob uma luz fraquinha. Achei legal, e se sairam muito bem!

No outro "post" continuarei a contar sobre minhas incursões no mundo da ópera. É um ambiente muito sofisticado, frequentado por conhecedores e amantes da música erutida. Logo, não precisaria explicar que meus comentários são de "iniciante"!

sábado, outubro 11, 2008

Voltando ao monumento "Völkerschlachtdenkmal", esqueci-me de mencionar alguns dados sobre a obra. A idéia de se erguer um monumento, após a batalha de Leipzig, de 1813, surgiu no final do século 19, com o crescente sentimento de uma identidade germânica. O projeto arquitetônico, de cerca de 1890, é de Clemens Thieme. A construção, entretanto, foi feita por etapas, financiada pela iniciativa privada e por doações, e somente foi concluída e inaugurada no século seguinte (1913), quando, então, foi comemorado o centenário da Batalha. Tratava-se de uma obra megalomaníaca para a época, na qual foram utilizadas pedras enormes que formam um atrium no seu interior, onde se reverencia às vítimas tombadas nas batalhas, uma espécie de cripta, na parte central, ladeada por quatro faraônicas estátuas que representam as virtudes germânicas. Na cúpula: cavaleiros, na parte interna, trabalhados em alto-relevo; na externa, em forma de enormes esculturas, representam os guardiães do monumento. Não convence muito o argumento de que a obra seja mais alta do que a Torre Eiffel, mas é verdade!
Muitos alemães não gostam de monumentos como este, acham-no de mau gosto, e repudiam a idéia de ostentar a grandiosidade germânica. Claro que tudo isso tem a ver com o passado de guerras da Alemanha, após construcão deste monumento. Quem gosta mesmo desses lugares simbólicos são os indivíduos de extrema direita, os simpatizantes de partidos neo-nazistas e "skin heads", por exemplo, que fazem até peregrinação até lá. Por motivo muito diferente, os roqueiros-metaleiros, também curtem o clima "heavy" do ambiente. Será que meu primo "rock-metal" já ouviu falar deste monumento?

quarta-feira, outubro 08, 2008

UM POUCO DE HISTÓRIA...

Fui com Werner e Silvia, que são meus hóspedes por estes dias, e Carlinhos, que agora vive em Havana mas revê amigos em Berlim, passear, no domingo, em Halle, cidade que ficava no território da então República Democrática Alemã.
Depois de visitar Halle, nos sobrou tempo e decidimos ir à vizinha Leipzig, mais precisamente a um lugar chamado de “Völkerschlachtdenkmal”, ou seja, um monumento às vítimas da batalha de 1813, que aconteceu exatamente naquele lugar. O ensejo para a construção do monumento foi a vitória das tropas prussianas e de suas aliadas russas, austríacas e suecas contra o já humilhado exército de Napoleão, depois do fracasso da campanha russa.

Até então, os alemães ainda não formavam uma nação, mas buscavam uma identidade nacional. A expressão "Völker" que compõe o nome do monumento, significa povos, cidadãos de inúmeros condados e principados europeus, daquela era, sob o comando da Prússia. Os recentes acontecimentos políticos fortaleceram a auto-estima germânica e os inspiraram a erguer monumentos, como este, em diferentes lugares onde aconteceram batalhas.

Naquela época, as guerras pareciam ser "encenadas num palco", a gente tem a impressão de que marcavam hora e lugar para lutar, os soldados se arrumavam muito para a guerra, se a gente observar bem nas suas fardas e nos seus gestos das reproduções em museus. Pareciam muito elegantes! Será que, pelo menos, se sujavam?...
Brincadeira à parte, as lutas eram sangrentas mesmo, somente nesta de Leipzig foram mais de cem mil mortos, além de muitos feridos e prisioneiros. Em um dos relatos daquele período, consta que cadáveres eram recolhidos por camponeses e outros civis, por toda parte, e enterrados em covas para até cinqüenta mortos a fim de evitar pestes e epidemias. Eram tantas as vítimas que até um ano depois da batalha se encontravam cavalos e soldados, em estado de decomposição, pelos campos e caminhos.

Esta batalha foi uma das poucas perdidas por Napoleão. Mas a perda foi grande, tão grande que nem ele pode acreditar. Depois dela, o “Empire” decaiu e nunca mais foi o mesmo.

sexta-feira, outubro 03, 2008



A aniversariante de hoje!

Subtraindo os 17 aninhos da idade que você completa hoje, estivemos na casa do farol da Praia da Costa, onde morava o irmão do tio Pedro, de onde tiramos fotos lindas, como essa.

Anos dourados, dos quais jamais esqueceremos.

Entretanto, os anos que contam são os que você tem agora, uma soma de prazeres, como o que você festeja hoje, o inesquecível 3 de outubro, junto à sua família e aos seus amigos.

Parabéns, minha querida irmã Tânia (a minha Deisinha)!