DER UNTERGANG
Surge mais um filme para incomodar o passado nazista da Alemanha. A controvertida película relata os últimos 12 dias de Hitler no seu "Bunker" e parece lhe atribuir traços humanos. Eis aí a grande questão: Hitler, humano? O diretor e os atores principais, em entrevista que pude acompanhar pela televisão, abominam o nazismo e a figura doentia de Hitler e seus aliados. Entretanto, insistem em defender o filme sobre o ponto de vista de se tratar de um episódio sobre um ser humano, ainda que bestial, nos seus últimos momentos de decadência.
Como ainda não assisti ao filme, prefiro emitir minha opiniao mais tarde. Talvez, amanhã, vá ao cinema com meus colegas de trabalho. Depois conto como foi!
Atualização do tema em 22.09.04:
Assisti ao filme, ontem. É impossível se sentir bem, vendo um filme sobre guerras. E sobre o tema Hitler e seu terceiro “Reich” já se viu de tudo, desde Chaplin com “O Grande Ditador” até as mais novas produções de Hollywood. Parece que há mais de 100 filmes que abordam este capítulo horroroso da história da Alemanha. Entretanto, o que difere esse filme de muitos outros é o fato de ter sido feito por alemães. Fala-se de que foi quebrado um tabu. Os alemães, principalmente a geração mais velha, não gosta de comentar o nazismo e a inteligência alemã não admitia, até agora, um alemão a ser capaz de incorporar o monstro Hitler.
O produtor e também autor do argumento, Bernd Eichinger, bem como o diretor, Oliver Hirschbiegel, foram mais longe: tentaram não apenas mostrar o monstro que havia em Hitler em seu obcecado ideal nazista, mas mostraram também o homem Hitler, enfraquecido, enlouquecido, egocêntrico, traído, às vezes contemplativo, paciente e sofrido, traços estes que outros filmes jamais mostrariam. O debate público, atualmente, é se seria necessário fazer um filme que mostrasse alguma característica humana positiva de Hitler. No meu entender, o filme, com poucas exceções, não encena fantasias. Foi fielmente baseado numa obra homônima e nas anotações e lembranças de Traudl Junge, a secretária de Hitler. Aliás, a secretária funciona como uma espécie de fio condutor no filme.
Assim, são relatados os últimos 12 dias que o Führer passou no seu complexo e gigantesco "Bunker", enquanto o exército russo ia progressivamente conquistando Berlim. As cenas e diálogos no "Bunker" - muito ao contrário do que alguns receiam pretenda o filme reabilitar o lado humano de Hitler- constatam o ego devastador desse tirano, que mesmo aconselhado por alguns de seus generais à capitulação, sentia-se convicto de sua superioridade germânica. Para ele o que importava era a sua idéia, o povo ele julgava, no final, responsável por sua derrota, vítima de seu próprio destino. Pateticamente, comandava de um buraco um exécito derrotado. As sequências mostram também de forma impressionante o carisma que exercia sobre seus obedientes súditos. Mesmo naqueles últimos momentos, achavam-se perdidos mas viam no "Führer" o salvador. E, assim, muitos deles já providos de recursos para se suicidarem, preferiam a morte a viver em um outro mundo que não fosse o do "Nazionalsozialismus" nazista.
Discutir um filme é se esquecer do tempo: este “post” acabou ficando muito longo! Mas, o que queria dizer mesmo é que esse filme está causando muita polêmica, porque surgiu em um momento em que os partidos de extrema direita em dois Estados alemães orientais conseguiram representação nas suas Assembléias, após o resultado das eleições de domingo passado. A maioria dos alemães, principalmente os mais velhos, condena o passado nazistas e insiste no debate de que esse erro jamais deverá ser repetido. As novas gerações costumam dizer que nada têm a haver com essa história vergonhosa do passado. O que percebi, desde que aqui cheguei, é que os alemães discutem essa matéria. Promovem o debate, principalmente para os jovens, para que esse capítulo negro de sua história não caia no esquecimento. Costuma-se falar aqui de uma “culpa coletiva”, outros de uma “responsabilidade coletiva”. Entretanto, o que assusta a muitos é o fato de a Alemanha está agora com uma alta taxa de desempregados, e que oportunistas ultra-radicais de direita instrumentalizem o desemprego e outras perdas sociais da população para repetir a história que fez levar Hitler ao poder.


3 Comments:
queria comentar aqui que o filme tem cenas violentas. Mas, qual é o filme de guerra que não tem? Não é mesmo?
Abraçao,
Paku
OI EMÍDIO, TUDO BEM?
EU TÔ AQUI NO BRASIL LOKA PRA VER O FILME DER UNTERGANG, DESDE QUE ESTREOU NA ALEMANHA. MAS EU NÃO SEI SE VAI ROLAR...QUANDO EU LI O TEU COMENTÁRIO FIQUEI MAIS AFIM AINDA. EU ATÉ TENTEI BAIXAR NA INTERNET, MAS NÃO CONSEGUI, TB NÃO IA ADIANTAR MTO...EU NÃO ENTENDO ALEMÃO...HEHE
É ISSO...EU VOU FICAR AQUI MORRENDO DE INVEJA DE VC...HEHEHE
UM ABRAÇO
TATI-CURITIBA/PR
OI EMÍDIO, TUDO BEM?
EU TÔ AQUI NO BRASIL LOKA PRA VER O FILME DER UNTERGANG, DESDE QUE ESTREOU NA ALEMANHA. MAS EU NÃO SEI SE VAI ROLAR...QUANDO EU LI O TEU COMENTÁRIO FIQUEI MAIS AFIM AINDA. EU ATÉ TENTEI BAIXAR NA INTERNET, MAS NÃO CONSEGUI, TB NÃO IA ADIANTAR MTO...EU NÃO ENTENDO ALEMÃO...HEHE
É ISSO...EU VOU FICAR AQUI MORRENDO DE INVEJA DE VC...HEHEHE
UM ABRAÇO
TATI-CURITIBA/PR
sehentill@bol.com.br
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