terça-feira, julho 15, 2008


Sai do metrô, na estação Green Park, a procura do “Speakers' Corner” , tradicional lugar de encontro de discursadores – qualquer pessoa pode subir em um dos banquinhos, à disposição, e falar livremente sobre qualquer tema para a platéia presente num cantinho do Hyde Park. Ao estudar o mapa do metrô, achei que saíria perto do lugar que procurava, mas não foi assim. Estava de fato em frente a um parque lindo – o Hyde Park – mas, onde é que fica a “corner”? Minha geometria mental não me ajudou muito, achei melhor perguntar a alguém. Disseram-me que teria de atravessar o parque, pois a tal “Speakers' Corner” ficava no lado oposto ao que estava.

Nuvens pesadas se formavam sobre a cidade, deixando de vez em quando uns raiozinhos de sol penetrarem entre elas. Tempo esquisito, pensei. Caminhei um bom pedaço do parque e me dei conta de que ele era imenso. Como é fascinante: um oásis verde no meio de uma megalópole de 8 milhões de habitantes! Via gente praticando esportes, crianças brincando, às vezes não via quase ninguém (como é que pode?) para, de repente, ver um batalhão de japoneses, disciplinados, de guarda-chuvas, em marcha, entre uma àrvore e outra, atirando os gatilhos de suas câmeras para uma flor, um pássaro ou um monumento. Será que não tem fim este parque? Questionei-me.

Agora, diante de mim, podia ler algo como: “é proibido passar”, numa placa aposta sobre um muro de madeira que se esticava no parque. Não posso ver muro que fico curioso para saber o que há do outro lado. E, assim, depois de caminhar um bom bocado ao lado daquele obstáculo, decidi espiar por entre as frestas da madeira. Uau!! Lá longe, podia ver um palco, lâmpadas coloridas, alguns “containers” e um grande lamaçal no gramado do parque. Mas, é isso!...conclui, estou diante do lugar onde há uma semana se apresentou Amy Winehouse, entre outros, no concerto em homenagem a Nelson Mandela. Pequeno mundo, pensei, há uma semana assistia pela televisão ao monumental concerto e agora estava ali no meio do que poderia chamar um sítio pop-arqueológico. Também não precisava exagerar tanto na emoção!

De onde estava, já podia ver, mais adiante, guarda-chuvas armados, protegendo grupinhos de turistas dos primeiros pingos da chuva. Ainda que a chuva tenha se transformado numa tempestade, juntavam-se, atentos, em torno de falantes - uns tranqüilos, outros temperamentais -, que articulavam-se em nome da liberdade de expressão.

1 Comments:

At 2:14 AM, Anonymous Anônimo said...

Tio

Estou lendo tudo e adorando.

bjs

Mariana

 

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